Por Cris Marques, 11/ago/2009

Tina, mulher, mãe, professora e jogadora de RPG, conta como o ato de jogar influencia sua vida

 

Aos 50 anos, a professora de história da rede estadual, Constantina Rigatto, escolheu um passatempo bastante diferente para se distrair e estimular o seu cérebro. Tina, como prefere ser chamada, é jogadora do game online MapleStory. Dividindo o espaço virtual com sua filha adolescente Juliana, ela mostra que não é só o mundo real que é das mulheres, mas o cibernético também. 

 

Mãe e filha, duas gerações no MapleStory
Mãe e filha, duas gerações no MapleStory

Como foi que você se interessou por mmorpgs (RPG online)?

Sempre gostei de jogos, interativos ou não, fui uma viciada no atari e hoje com a evolução dos games podemos não só jogar, como interagir com pessoas do mundo inteiro sem sair de casa, o que para mim é muito gratificante.

 

Por ser adulta, mãe e professora, você já sofreu algum tipo de preconceito por se aventurar em um jogo, coisa, que na maioria das vezes, é caracterizado e conceituado para as crianças?

As reações foram das mais diversas. Dentro do próprio jogo, quando eu dizia a minha idade, havia muito mais surpresa do que rejeição, cheguei a ouvir várias vezes de jogadores jovens que gostariam que as mães também gostassem, pois pegariam menos no pé deles.

 

Quando você conta a pessoas que joga Maplestory, qual a reação delas?

Trabalho com o notebook em sala de aula, e quando abre a tela, lá esta o ícone do Maple, para os meus alunos foi uma surpresa enorme, pois sou uma professora muito enérgica e séria, isso quebrou um pouco da imagem de durona que eles têm de mim, mas ao invés de críticas passaram a me informar vários jogos semelhantes para que eu participasse deles também. Já os meus amigos da minha idade em sua grande maioria acharam um absurdo e perda de tempo por não compreenderem o jogo.

 

O que sua filha acha de ter a mãe jogando o mesmo jogo que ela?
Bom… Ela aprendeu a gostar de jogos comigo, desde os 3 anos de idade ela me via jogando Mário, o Maple foi uma amiga dela que jogava e baixou o jogo no nosso pc, claro que dei uma olhada e gostei dos desafios e metas que são estipulados… No começo percebi que ela não apreciou muito, pois deve ter acreditado que eu estava não só disputando com os outros jogadores, mas com ela também. Senti também que o fato da grande maioria ser jovem e eu ter 50 anos a incomodava um pouco, mas à medida que as pessoas que jogavam sabiam a minha idade e achavam o máximo alguém como eu participar, a aceitação da minha filha acabou se transformando também em admiração e orgulho, porque hoje ela é a primeira a sair falando que eu jogo.

 

Como professora, você acredita que jogos assim atrapalham ou beneficiam a vida real dos jogadores (crianças, adolescentes e adultos)?

Com certeza, observo que dentro do jogo, salvo algumas exceções, como em qualquer situação na vida, os jovens são educados, se respeitam, respeitam as regras, aprendem que se você deseja realmente algo tem que se esforçar para conquistar, que viver em grupo em muitas vezes é abrir mão de algumas coisas para ter outras. Como educadora, vou muito mais além, aprendem a valorizar os itens que conquistam e negociá-los, pesquisando valores e entendendo assim, de forma prática, a lei básica do sistema capitalista: a lei da oferta e procura e a livre concorrência.

Acho que o único momento em que se torna negativo é quando o jogo, seja ele qual for, passa a ser mais importante que a vida real, quando o jogador abandona a vida social pela virtual.

 

Você acredita que o ato de jogar tenha alguma importância para a sua vida real?

Sim, veja bem, à medida que a idade avança a pessoa precisa de estímulos para a mente, palavras cruzadas, leituras entre outras coisas, os jogos de uma maneira geral te obrigam a estimular várias áreas como concentração, memorização, coordenação motora, etc. E o maple foi a forma que eu escolhi.

 

A arqueira Tyna, sua personagem no jogo
A arqueira Tyna, sua personagem no jogo

 

Como você analisa a evolução dos games que antes eram muito mais para os meninos e hoje se estendem não só para as meninas mas também aos adultos (homens e mulheres)?

Nunca vi os jogos assim com diferenciação de sexo e faixa etária, porque as meninas sempre jogaram o que havia era uma mídia voltando os jogos mais para o sexo masculino e público jovem, hoje isso acabou, todos os jogos estão voltados para todos, aí vai do gosto de cada um, criança ou adulto.

 

Fotos: Arquivo pessoal

 

Link do jogo – MapleStory 

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5 comentários para esta matéria

  1. Dry di Moraes
    Você já é de casa! Comentou 21 vezes!

    Parabens!!!!
    Exemplo de mulher!!!!!

    [Responder]

  2. Você já é de casa! Comentou 93 vezes!

    Nunca ouvi falar nesse jogo, mas ja fiquei mega curiosa! =)
    Sempre gostei de joguinhos, antigamente eu era viciada em Tibia e as pessoas que jogavam lá eram bem mais novas que eu e se espantavam quando eu dizia, tenho 22 anos! Imagine quando eu for mãe e continuar com meus joguinhos?!

    Adorei a entrevista e adoraria ter ela como mãe!
    Beijos

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  3. Walter Fiuza
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    É isso ai “Tyna”, brilha muito, tanto na vida quanto no MapleStory. Aproveito o ensejo para mandar um abraço para o Pessoal do Clã BlueStar, Srdani, Mrkis, Harin, Juninhomat, Avana (minha namo), Suecris, Emanuelx7, Thinlizzy, Lenta, Brandon, RSaory, Renzo, e todos os demais que não lembro o nick agora.

    Walter Fiuza
    Bubuaru
    BlueStar FTW

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  4. Você já é de casa! Comentou 97 vezes!

    achei super bacana ela jogar RPG! mamis só joga guitar hero e ainda zuando! rsrsrs…

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  5. Marcio Kis
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    A Tyna é a nossa mãezona no maple! Sempre ajudando e incentivando a crescer cada vez mais! Aprovetando também, Um salve pro Bubu, Avana, Liloka, Dani, WPrestus, Sue, Manu e todos do Bluestar!!

    Parabéns pra Avana pela entrevista!

    Abraços
    Mrkis
    Bluestar FTW!

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