Por Cris Marques, 22/set/2009

Jornalista fascinada pelo mundo dos games conta a Lado M sobre sua paixão

Editora de games do Portal MTV, autora do GameBlog e repórter do Scrap, Flávia Gasi, de 28 anos, é jornalista e por pouco não se tornou uma psicóloga, curso que acompanhou por três anos e avalia como uma experiência muito bacana. Além de sua fixação pelo mundo dos games, também curte nerdices em geral: livros, quadrinhos, blogs, sites, filmes e seriados. E, apesar de tudo isso, não vive só no virtual não, gostando de cozinhar, receber amigos em casa, ficar em família, descobrir barzinhos e jogar sinuca.

Desde quando você é apaixonada pelo universo dos games e como isso começou?

Sou apaixonada pelo universo dos games quase desde que eu me entendo por gente, isto é, quando o primeiro Atari da família chegou em casa. Acho que tudo começou por conta do meu pai, que é completamente viciado em tecnologia e estimulava a gente a jogar; mas se consolidou por causa da minha mãe e do meu irmão.

Vamos às explicações: meu pai trazia os consoles e, basicamente, fazia desafios para ver se a gente conseguia acompanhar o ritmo dele. E era muito divertido ver aquela tecnologia incrível funcionando, mas não de forma passiva, você estava lá, em controle. Depois disso, há um aspecto muito cultural e filosófico em games, que brotou depois. Meu irmão e eu jogávamos juntos e sempre ficávamos maravilhados com as possibilidades da história, mas a gente não falava inglês. Na época, meu irmão nem tinha aprendido a escrever ainda. Então eu copiava as falas dos personagens em um caderno e minha mãe traduzia pela noite. Além disso, eu me lembro claramente de a gente jogando Final Fantasy VII, em uma parte do jogo em que você começa a entender que o mundo é um ser vivo. Nessa hora, minha mãe entrou no quarto e disse: “Nossa, vocês sabiam que isso é física quântica?!” Foi quando o universo de games tomou mais um rumo: o de aprendizado.

Já sofreu algum tipo de preconceito por gostar de algo esteriotipado como masculino?

Claro. Muita gente não entendia que games também é coisa de menina sim. Sinceramente, é um tanto chato, mas nada incrivelmente mala. Acho que esse tipo de preconceito acabou me ajudando, porque eu queria ser melhor do que qualquer menino – sim, uma coisa quase obstinada mesmo. Hoje em dia eu ainda recebo une recados do tipo: “Aff, você viu aquela matéria? Meninas não entendem menos de games.” Mas, a verdade, é que elas são consideravelmente poucas; acho que isso não importa tanto nos dias de hoje.

Como você ingressou na MTV?

Participei de uma entrevista sobre “meninas que jogam videogame” e as coisas começaram a rolar a partir daí.

Nela, qual é a sua participação?

No canal de televisão, eu atuo como repórter de games para o Scrap MTV. No Portal, eu cuido de todo o canal de games, não somente com o meu blog. O objetivo é criar uma experiência participativa em games, ter um monte de especialistas falando coisas que realmente acreditam, sem papas na língua. O Portal é um local incrível para se trabalhar: um lugar para ter ideias, colocá-las em prática, para conversar com os leitores. Também queremos crescer cada vez mais: cuidar do lado editorial, ter mais games online. Os planos são de abraçar os gamers e as suas causas cada vez mais e de forma mais variada.

O que acha da polêmica ‘profissão-blogueiro’ na qual qualquer um que tenha um blog pode escrever sobre o assunto que quiser?

Eu adoro a questão da democratização do conhecimento. Sou completamente a favor de todo mundo ter blogs e escrever sobre o que quiser. É muito interessante perceber que, ao longo do tempo, as pessoas encontram seus favoritos em meio à blogosfera. A Internet é um espaço aberto, pode ser que você encontre muita coisa que não concorde ou não goste, mas, por outro lado, sempre tem algo genial esperando para ser descoberto, lido, encontrado e degustado. A informação pode chegar a você de todos os jeitos, formatos, tipos de texto. E você não precisa ser passivo: pode pegar seu teclado, sua webcam, e começar a produzir você mesmo. Nesse ponto, acho que a Internet é muito parecida com os games: ela te convida a participar, a interagir e a se imergir.

Como você analisa sua participação na web 2.0, você participa de sites de relacionamento?

Acho que participo ativamente muito mais do Twitter, acho mais pessoal, mais rápido, mais prático. Eu tenho Orkut, Facebook, e costumo ler tudo. O problema é a resposta. Prefiro apertar “reply” e pronto. Acho mais fluido.

De que tipo de games você gosta?

Eu gosto de games que tenham imersão, e você possa se perder naquele universo. Daí meio que independe o gênero: pode ser um game de estratégia completamente viciante, jogos que tenham toques de humor, games de tiro que tenham uma filosofia ativa por trás, RPGS que criem mundos vivos de verdade, repletos de citações mitológicas, e mesmo jogos de quebra-cabeças ou de jogabilidade simples, mas que tragam um desafio interessante. Por outro lado, jogos devem ser divertidos, então aprovo os games que põe um sorriso na minha cara, independentemente de qualquer outra coisa.

Você acha que nessa era digitalizada, ser nerd está em alta, virou tipo uma tendência?

Ahauhahuauhauha, olha, de certa maneira existe uma tendência nerd sim, é só ver os últimos produtos culturais mais vendidos. Entre eles certamente há games, filmes de super heróis ou de vampiros e zumbis, livros de cultura pop. Na verdade, eu acho que esse tipo de cultura não cria nada pensando que um dia pode estar em um museu e ser avaliada como arte. Ela simplesmente quer atingir as pessoas em um nível bem pessoal e, no fundo, é isso que a arte faz. Ela te captura. E, para mim, é isso que quadrinhos, filmes, séries, livros e games desta cultura conseguem fazer.

Qual a sua dica para outras meninas que também são nerd girls, como você mesma se define?

Hmmm, essa coisa de dar conselhos pode parecer tão pedante. (Rs). Eu só posso dizer para elas serem elas mesmas e viverem aquilo que acreditam e que gostam. As diferenças é que fazem a diversão.

Imagens: Arquivo Pessoal

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8 comentários para esta matéria

  1. Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    A Flávia é muito linda e não têm o que discutir. *–*’

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  2. Fabio Mousca
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    Grande pessoa. Grande profissional, linda e acima de tudo é fiel àquilo que pensa. Defende que games é coisa de gente grande e merce estar onde ela está!

    [Responder]

  3. Gil "Outer Heaven"
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    Ah, olh a Flavinha de novo. Que nerdisse (rs). \o/

    [Responder]

  4. Lory
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    Eu também sou uma Nerd Girl e sou grande fã da Flávia Gasi! Parabéns pela ótima matéria, curti mesmo!

    [Responder]

  5. Eliene
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    Injveja (boa) dela!

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  6. Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    Acompanho a Flavinha desde os tempos da EGM Brasil!
    Ela sabe que sempre torço pelo sucesso em sua carreira e em sua vida!
    Parabéns pela entrevista!
    Bjaum, Flavinha!!!

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  7. Você já é de casa! Comentou 93 vezes!

    Ando tão por fora que nem conheço essa pessoa! >.<

    Mas adorei! Primeiro pq ela adora games, internet, Blogs, ou seja tudo o que eu adoro!!! ♥

    Beijos

    [Responder]

    Resposta de Angélica:
    Você já é de casa! Comentou 97 vezes!

    Faço das palavras da Daf as minhas… óÒ
    Mas, adorei saber que a LadoM conseguiu uma exclusiva com a fofa que adora videogame, blog e, guitar herooo <3

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