Por Cris Marques, 20/jul/2009

A jogadora Fernada Prevedello conta como o esporte considerado ‘mais masculino’ vem conquistando a paixão das mulheres

fernandaprevedelloA diretora de comunicação e desenvolvedora de projetos Web, Fernanda de Rezende Prevedello, de 28 anos é muito vaidosa e adora coisas tipicamente femininas, como cosméticos e maquiagens, tendo uma enorme queda por sapatos de salto alto, confessando: “adoro peruíces de forma moderada”. A jogadora de Rugby conta a Lado M como é o esporte, a inserção das mulheres e sua importância na vida dela.

Há quanto tempo você joga e como é esse esporte?

Jogo há um ano e meio no time Pasteur Athlètique Club (PAC). O Rugby se joga basicamente com as mãos passando a bola para trás, porém há lances onde se pode chutar a bola para frente para “ganhar espaço”.  A função é chegar ao fim do campo e tocar a bola no chão na marca conhecida como “Try”, que é o nosso gol. Nele, há várias categorias, as mais conhecidas são as de 15 jogadores e a categoria Seven. Há também o Touch e o Beach. A categoria feminina joga com a Seven, categoria essa que estamos lutando para entrar nas Olimpíadas tanto para homens quanto para mulheres.

Como você se interessou por ele?

Foi nas férias de 2007 quando assistia a um campeonato pela SporTV e me perguntei: “Que raio de esporte doido é esse?”. A partir daí comecei a estudar as regras e com o tempo fui pesquisar se mulheres também podiam jogá-lo e descobri que sim e que muitas adoram o esporte.

Para você ele é apenas um hobby?

Não, e é um aspecto interessante do Rugby, não é simplesmente um entretenimento para quem entra no esporte, ele é família, é união. Não nos encontramos apenas em dias de treino, ficamos amigos, viajamos juntos para torcer pelas outras categorias, compartilhamos uma amizade de verdade. Inclusive eu adoraria colecionar artigos de Rugby como hobby.

Por ter uma característica bastante violenta, as mulheres que o jogam sofrem algum tipo de preconceito?

De forma alguma, não se perde a feminilidade jogando, apesar dessa característica somos mulheres tipicamente femininas, mas no campo é preciso ter uma postura mais forte e ágil sim.

No esporte, há garotas homossexuais? Se sim, como você lida com elas?

A homossexualidade está em todos os esportes, faz parte da sociedade, mas no caso do Rugby é natural pensar que mulheres que jogam são lésbicas porque é um esporte tipicamente masculino, assim como o futebol. Sinceramente acredito que no meu grupo não há meninas lésbicas e se há, ainda não identifiquei (risos), mas se houver não vejo problema algum.

Esses esportes mais violentos deixam a pessoa insensível de alguma forma?

Ao contrário, a atividade esportiva como um todo, especialmente os esportes em grupo tendem a unir as pessoas, pensar como o outro, pelo outro. Isso treina consequentemente a empatia, independentemente se for um grupo de balé ou um time de Rugby. A sensibilidade ou a falta dela vem da pessoa não do esporte.

De que forma você administra a feminilidade no dia-a-dia e a ‘fúria’ em campo?

Confesso que em campo a postura tem que ser mais firme. Quando estou no campo não quero saber se meu cabelo está bem e se estou com gloss nos lábios, me imagino a peça de um grupo que tende a buscar a vitória. E, de uma forma independente, imagino também uma batalha pessoal, na qual testo minhas habilidades, força e raciocínio e isso me extravasa, libera meus monstros e me faz sentir muito bem!

Como você avalia a inserção das mulheres em campos considerados mais masculinos, até mesmo no caso do Rugby?

Hoje em dia não vejo mais nada que uma mulher não possa fazer em uma tarefa tipicamente masculina e vice-versa. Claro que existem limites e melhores formas de se fazer, mas ambos os sexos podem fazer de tudo! As mulheres no Rugby são bem vindas pelos homens, ao contrário do que possa se imaginar. Eles dão apoio, ajudam, dão dicas, o que é também uma ótima oportunidade de encontrar a cara metade! Então quem quiser amizade, companheirismo, a chance de ficar em forma e até namorar, que venha para o Rugby, mulherada!

Quais suas dicas para quem quer começar no esporte?

É super importante chegar nos treinos com pelo menos 10 minutos de antecedência para a troca de roupas e início de aquecimento. Levar roupas leves e de “guerra”. Lembrando que no Rugby não há frescuras e que como jogadora você vai correr e cair, é um esporte de contato e haverá também boas trombadas.

Equipe feminina do PAC
Equipe feminina do PAC

Interessou-se pelo esporte? O time da Fernanda está em formação, recrutando novas jogadoras e abrindo espaço para patrocinadores. Os interessados podem entrar em contato com a gerente Ana Sylvia e a diretora Dani Fahur pelos e-mails [email protected] e [email protected]. Mais informações na comunidade do PAC no Orkut.

Fotos: Arquivo pessoal

Tags: , ,

Matérias Relacionadas:

4 comentários para esta matéria

  1. Você já é de casa! Comentou 97 vezes!

    adorei saber que a @fepreve joga rugby! eu não imaginava… achei bacana mas, continuo preferindo handebol… <3

    [Responder]

    Resposta de equipe:
    Você já é de casa! Comentou 133 vezes!

    #Angélica→ Ah, handebol também é legal, mas se você quiser, entra em contato com as responsáveis pelo time, vai lá e assiste um treino, quem sabe não floresça uma nova paixão, hein?!

    [Responder]

  2. juilo
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    eu acho que todo tipo de esporte que exista um exercício e válido,pois faz berm a nossa saúde.
    Eu apoio

    [Responder]

  3. aline xavier clemente
    Você comentou pela primeira vez, boas vindas!

    muito show gostei do esporte parece ser muito divertido gostaria de aprender jogar este jogo e participar de algun time valeuuuuuu.

    [Responder]

Comentar

Os itens marcados com (*) são de preenchimento obrigatório.